O Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, aponta que as vias internas de condomínio concentram uma variedade de solicitações mecânicas que raramente recebem a atenção técnica adequada na fase de projeto. Caminhões de mudança, veículos de coleta de resíduos, ambulâncias, automóveis de moradores e pedestres compartilham o mesmo pavimento, muitas vezes sem que o dimensionamento tenha considerado essa diversidade de cargas.
O paver é uma das soluções mais versáteis para esse tipo de aplicação, mas sua durabilidade depende diretamente de um dimensionamento de pavimento compatível com o tráfego real previsto para cada trecho. Especificar pelo menor custo, sem critério técnico, é a origem da maioria dos problemas registrados nesse segmento. Continue a leitura para saber mais!
Qual é o tráfego real de uma via interna de condomínio e por que ele surpreende?
A subestimação do tráfego é o erro de projeto mais frequente em vias internas de condomínio. É comum que o dimensionamento seja feito com base apenas nos veículos dos moradores, ignorando a circulação de veículos de serviço, que em condomínios de médio e grande porte, pode ser intensa e envolver cargas significativamente superiores às de um automóvel convencional. Como elucida o Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, um caminhão de coleta de lixo ou um veículo de mudança pode transmitir ao pavimento cargas por eixo muito superiores às previstas para tráfego leve, e essa diferença precisa estar refletida na espessura do paver e no dimensionamento das camadas de base e sub-base.
O conceito de número N, que representa a quantidade de repetições de carga do eixo padrão ao longo da vida de projeto do pavimento, é a ferramenta técnica correta para essa análise. Mesmo em vias internas de condomínio, onde o volume absoluto de veículos é baixo, a presença periódica de veículos pesados eleva o número N de forma desproporcional, pois o dano causado por um veículo pesado é exponencialmente maior do que o causado por um automóvel. Ignorar esse fator é projetar com base em uma realidade que não existe.
Pontos de manobra e curvas: onde o pavimento sofre mais e menos se percebe
As áreas de maior solicitação em vias internas de condomínio não são necessariamente os trechos retos de maior comprimento. Os pontos de manobra, as curvas de acesso às vagas e as zonas de parada concentram esforços horizontais gerados pela torção dos pneus que, quando o dimensionamento não os considera, aceleram a degradação do pavimento de forma localizada.
Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, retrata que a escolha do padrão de assentamento dos pavers tem impacto direto no desempenho do sistema, pois padrões espinhados, como o espinha de peixe a 45 graus, oferecem maior resistência ao cisalhamento do que padrões alinhados ou em fileiras paralelas.

Drenagem interna e declividade transversal: parâmetros que definem a integridade do conjunto
A gestão da água superficial em vias internas de condomínio é um componente do projeto que interfere diretamente na durabilidade do pavimento intertravado. De acordo com o Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, a declividade transversal mínima de 2% direcionada para os dispositivos de captação precisa ser mantida ao longo de toda a extensão da via, incluindo os trechos em curva, onde a tendência de execução incorreta é maior.
Água acumulada sobre o pavimento infiltra pelas juntas, satura a camada de areia de assentamento e compromete a capacidade de suporte do conjunto em um processo gradual e silencioso. O posicionamento estratégico das bocas de lobo e sarjetas, dimensionado em função da área de contribuição e da intensidade de chuva da região, completa o sistema de drenagem e protege o pavimento de forma duradoura.
Pavimentar bem desde o início é a gestão mais eficiente que um condomínio pode fazer
A decisão de dimensionar corretamente o paver nas vias internas de um condomínio não é apenas técnica: é uma decisão de gestão patrimonial. O Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, explica ao final que pavimentos subdimensionados geram custos de manutenção recorrentes, interrompem a circulação interna, depreciam a percepção de qualidade do empreendimento e, em última análise, custam muito mais do que a diferença de investimento que teria sido necessária para fazer o projeto correto desde o início.
Dessa forma, o mercado de pavimentação intertravada em condomínios tem espaço para crescer com mais critério técnico. Síndicos, incorporadores e projetistas que dominam os fundamentos do dimensionamento por tráfego tomam decisões mais acertadas, entregam resultados mais duráveis e constroem uma reputação de competência que se sustenta no longo prazo.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

