Mercado imobiliário brasileiro projeta crescimento de 10% em 2026 mesmo com juros elevados

Diego Velázquez
Diego Velázquez
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O setor imobiliário brasileiro atravessa um ciclo peculiar: mesmo com a taxa Selic ainda em patamar historicamente alto, a demanda por moradia não recua. Pelo contrário, as projeções para 2026 apontam para uma aceleração das vendas, impulsionada por mudanças regulatórias, novos mecanismos de crédito e o fôlego contínuo do programa Minha Casa, Minha Vida.

Dois mercados dentro de um só setor

O mercado imobiliário brasileiro opera em dois ritmos distintos em 2026. De um lado, o segmento popular segue aquecido, sustentado pelo Minha Casa, Minha Vida e por uma demanda estrutural por moradia que ainda não foi atendida. De outro, o médio e alto padrão enfrenta a combinação de juros elevados, custos de construção em alta e lançamentos em recuo em São Paulo. Portas

Esse cenário dual não impede, porém, que o setor como um todo olhe para frente com otimismo. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) projeta crescimento de 10% nas vendas em 2026. “A expectativa é crescer nas vendas de imóveis. Temos capacidade de crescer 10% em 2026, apesar da taxa de juros alta, porque a demanda continua crescendo, e as pessoas, comprando imóveis”, afirmou Renato Correia, presidente da Cbic. Papoimobiliario

Crédito e novos mecanismos de financiamento

Um dos fatores que sustentam esse otimismo é a ampliação do acesso ao crédito habitacional. O governo federal liberou 5% do compulsório da poupança em 2026, injetando R$ 35 bilhões adicionais no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). O teto do valor do imóvel financiado pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) subiu de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, após sete anos sem correção. Portas

Além disso, de acordo com projeções da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o crédito imobiliário pode crescer cerca de 16% em 2026 e financiamentos com recursos do SBPE devem avançar aproximadamente 15%. Estudos do setor apontam que cada ponto percentual de queda na taxa básica pode incluir cerca de 160 mil novas famílias no mercado de financiamento imobiliário. Portas

Perfil do comprador muda em 2026

Outro movimento relevante diz respeito ao comportamento de quem está buscando imóvel. Uma pesquisa realizada pela Abrainc em conjunto com o Grupo Brain aponta que, ao avaliar quais benefícios os moradores desejam nos condomínios, piscina, salão de festa e academia lideram com folga. Já em faixas de renda mais baixas, o playground é a principal exigência. Com relação à compra, a maior dificuldade para pessoas de 22 a 44 anos é o valor da entrada, enquanto para quem possui entre 45 e 79 anos o maior problema passa a ser a instabilidade econômica do país. Registro de Imóveis

Esse retrato reforça que, apesar da resiliência do setor, o caminho para a casa própria ainda apresenta obstáculos concretos para diferentes perfis de renda. A expectativa é que o segundo semestre de 2026, com possível continuidade nos cortes da Selic, traga condições mais favoráveis para quem ainda aguarda o momento certo de comprar.

Fontes: Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) | Abrainc / Grupo Brain – Perspectivas 2026 | Portas – Mercado imobiliário 2026 | Registro de Imóveis do Brasil

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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