Inteligência artificial avança no setor imobiliário, mas Brasil ainda está atrás dos Estados Unidos

Diego Velázquez
Diego Velázquez
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Mais da metade das incorporadoras brasileiras já utiliza inteligência artificial em alguma etapa dos seus processos. É o que revela uma pesquisa divulgada durante o Morada Summit 2026, evento que reuniu executivos, incorporadores e investidores do setor em São Paulo. O dado impressiona, mas também esconde um descompasso: quando comparado ao mercado americano, o Brasil ainda engatinha na adoção de tecnologias mais avançadas.

O que as empresas brasileiras já estão fazendo

Mais da metade das incorporadoras brasileiras já utiliza inteligência artificial em alguma etapa de suas operações. O dado vem de uma pesquisa inédita divulgada durante o Morada Summit 2026, em São Paulo, e aponta que 56,5% das empresas do setor imobiliário já adotaram a tecnologia de alguma forma. O levantamento foi desenvolvido pela Morada.ai, proptech voltada ao setor, em parceria com a BCB Inteligência e a agência Upload. CartaCapital

Para Ramon Azevedo, CEO da Morada.ai, o debate do setor mudou de patamar: “A discussão já não é mais se as empresas vão utilizar IA, mas como aplicar essa tecnologia para gerar eficiência, produtividade e melhores decisões de negócio.” Entre as empresas que ainda não utilizam inteligência artificial, as áreas de maior interesse para adoção futura são análise de crédito, projetos e engenharia, e marketing comercial. CartaCapital

A distância para o mercado americano

Apesar do avanço recente, o setor imobiliário brasileiro ainda convive com uma diferença expressiva em relação ao mercado americano. Nos Estados Unidos, 85% das imobiliárias já adotam inteligência artificial para acelerar seus projetos, podendo chegar a 90% até 2030. No Brasil, o percentual de empresas do mercado imobiliário que já usam IA não chega a 19%, conforme estudo feito pela Brain Inteligência Estratégica em conjunto com a Abrainc. InfoMoney

A diferença não está, necessariamente, no acesso à tecnologia, mas na forma como ela é aplicada. O gap não é de tecnologia: é de arquitetura de dados e decisão estratégica. Enquanto nos Estados Unidos plataformas já operam inteligência artificial agentica, capaz de qualificar leads, enviar propostas personalizadas e agendar visitas de forma autônoma, a maioria das empresas brasileiras ainda considera “IA” o uso de chatbots básicos. Morada

Proptechs transformam a jornada de compra

Independentemente do estágio de adoção, as chamadas proptechs, startups que aplicam tecnologia ao mercado imobiliário, já estão reformatando a experiência de quem compra, vende ou aluga um imóvel no Brasil. Ferramentas como tour virtual em até 360 graus e recursos de realidade aumentada permitem que o interessado explore cada detalhe de um apartamento ou casa sem sair de casa. A tecnologia também possibilita visualizar projetos, plantas e até simular a vista de um imóvel. Sistemas com inteligência artificial analisam grandes volumes de informações, como preços históricos, valorização de regiões e infraestrutura disponível. Ademi

O Brasil se consolida como o principal hub de inovação PropTech na América Latina, abrigando mais de 1.000 startups ativas que atuam em todas as etapas da cadeia de valor, desde a concepção de projetos e construção até a compra, venda, locação, gestão e financiamento de imóveis. BeansTech

O caminho para a digitalização plena do setor no Brasil ainda é longo, mas o ritmo de adoção acelerou em 2026. Para quem atua no mercado imobiliário, ficar de fora dessa transformação pode significar perder espaço para concorrentes que já tomaram a decisão de integrar dados, processos e tecnologia em uma única operação.

Fontes: Carta Capital – IA no mercado imobiliário | InfoMoney – Brasil vs. EUA na adoção de IA | ADEMI-RJ – PropTech e mercado imobiliário | Morada.ai – IA agentica em real estate

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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