Casal diante de uma casa para alugar enquanto um agente imobiliário instala uma placa de locação.

IVAR avança 0,28% em setembro e mantém locação residencial sob pressão

Redação Gazeta Do Imovel
Redação Gazeta Do Imovel
6 Min de leitura

O Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR) subiu 0,28% em setembro de 2026, segundo levantamento do FGV IBRE. Em 12 meses, o indicador acumulou alta de 5,08%, resultado ligeiramente inferior aos 5,09% registrados até agosto. A divulgação ocorreu em 7 de outubro e coloca novamente no centro do debate o comportamento dos contratos de locação no mercado imobiliário brasileiro.

Apesar de a variação mensal ter sido moderada, o resultado anual mostra que os aluguéis continuam avançando. Para quem procura moradia, a leitura do índice ajuda a acompanhar a evolução dos preços ao longo do tempo. Para proprietários e investidores, o indicador funciona como uma referência sobre a dinâmica do segmento, embora o reajuste efetivo de cada contrato dependa das condições previstas entre as partes.

O que o resultado do IVAR revela

O número de setembro combina dois horizontes diferentes de análise. A alta de 0,28% representa o movimento observado de um mês para o outro. Já o avanço de 5,08% em 12 meses mostra a variação acumulada desde setembro do ano anterior. A pequena desaceleração em relação ao acumulado de agosto não significa queda dos aluguéis, mas indica que o ritmo anual de crescimento ficou marginalmente menor.

De acordo com o FGV IBRE, a demanda por imóveis para aluguel permanece sustentada. O cenário é influenciado, entre outros fatores, pelas dificuldades de acesso ao crédito imobiliário. Quando o financiamento se torna mais restritivo, parte das famílias que poderia considerar a compra tende a permanecer no mercado de locação, ampliando a pressão sobre os imóveis disponíveis.

A oferta limitada também aparece como elemento relevante para entender o comportamento dos preços. Em regiões ou segmentos com menor disponibilidade de unidades, a procura pode encontrar menos opções, dificultando a negociação para os inquilinos. Ao mesmo tempo, reajustes previstos em contratos contribuem para a formação do valor pago ao longo do período de locação.

Impactos para inquilinos e proprietários

Para o inquilino, o dado nacional serve como referência de contexto, mas não determina automaticamente quanto será cobrado em um imóvel específico. Localização, tamanho, padrão construtivo, estado de conservação e condições de oferta e procura podem produzir diferenças significativas entre bairros e cidades. Por isso, a decisão de renovar ou buscar outra unidade exige comparar o valor atualizado com os preços praticados em imóveis semelhantes.

Também é importante separar o índice divulgado pelo FGV IBRE do reajuste contratual. O indicador acompanha a variação dos aluguéis residenciais, enquanto o contrato estabelece as regras aplicáveis à relação entre locador e locatário. Antes de aceitar uma renovação, o morador deve verificar a cláusula de reajuste, o período de aplicação e os demais custos envolvidos, como condomínio, tributos e despesas de mudança.

Para o proprietário, a alta acumulada indica que o mercado de locação continua apresentando valorização nominal. Isso, contudo, não significa que qualquer aumento será absorvido pelo mercado. Um preço acima da realidade da região pode prolongar o período de vacância e reduzir a rentabilidade do imóvel. A análise do valor praticado em unidades comparáveis continua necessária para definir uma estratégia de locação.

Crédito restritivo influencia a escolha entre alugar e comprar

O desempenho do IVAR também ajuda a explicar por que a escolha entre aluguel e compra não depende apenas da preferência do morador. O acesso ao financiamento envolve condições de crédito e capacidade de pagamento, e uma parcela das famílias pode não conseguir avançar para a aquisição de um imóvel. Nesses casos, a locação permanece como alternativa imediata de moradia, mesmo em um ambiente de preços pressionados.

Esse movimento não permite concluir, por si só, qual opção é financeiramente melhor para todos os consumidores. A comparação precisa considerar entrada, parcelas, juros, prazo do financiamento, custos de manutenção, estabilidade de renda e horizonte de permanência no imóvel. No aluguel, entram na conta o valor mensal, os reajustes e as despesas acessórias. A decisão deve ser feita com base na situação de cada família.

O indicador integra o conjunto de informações acompanhadas pelo FGV IBRE. A instituição também publicou o IGP-10 de outubro de 2026, um indicador econômico de escopo diferente. Embora os índices não sejam equivalentes nem possam ser usados indistintamente para calcular o aluguel, o acompanhamento conjunto ajuda a contextualizar o ambiente de preços em que proprietários, inquilinos e compradores tomam decisões.

Próxima divulgação do indicador

O FGV IBRE prevê para 6 de novembro de 2026 a divulgação da próxima apuração, referente ao comportamento dos aluguéis em outubro. O novo resultado poderá mostrar se a variação mensal observada em setembro foi mantida, acelerada ou desacelerada. Até lá, o dado disponível aponta para um mercado em que a demanda continua firme, enquanto o crédito restritivo e a oferta limitada sustentam a atenção sobre os preços da locação residencial.

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