Mercado imobiliário segue impactado pela alta na taxa Selic

Grod Merth
Grod Merth
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O mercado imobiliário brasileiro teve uma boa temporada em 2022. Segundo pesquisa do Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Administração de imóveis de São Paulo (Secovi-SP), 56,2 mil imóveis residenciais novos foram comercializados entre janeiro e outubro apenas na região da Grande São Paulo. Entretanto, o cenário pode estar prestes a sofrer mudanças para 2023.

Apesar do número positivo, o total de contratos de venda de novas casas e apartamentos firmados foi menor do que o de novas residências construídas, que somou 56,6 mil.

A demanda ainda está baixa
“Há muitas oportunidades de compra, mas a demanda ainda está baixa, o que impacta em outro ponto: está mais fácil para os compradores negociarem valores abaixo dos pedidos pelos vendedores, mesmo nos casos em que os valores dos imóveis sobem abaixo da inflação”, analisa Varda.

O especialista observa em especial os imóveis na região central de São Paulo: “Em bairros como o Jardim Paulista, por exemplo, novos apartamentos custaram em 2022 em média R$ 27 mil pelo m², o que significa um aumento de 25% em relação ao ano de 2021. Imóveis de segunda mão, que já tiveram um ou mais donos, na mesma região custam cerca de R$ 14 mil por m², quase metade de um novo”, comenta ele.

As tendência para esta temporada de 2023

Segundo estimativas da Propdo, apesar de os números apresentados pelo estudo do Secovi-SP, há oportunidades para os investidores. No Butantã, por exemplo, os preços dos novos imóveis chegaram a subir 10% em 2022, o dobro da média registrada no município. Além disso, foram apontados mais de 50 novos empreendimentos residenciais e comerciais na região.

“Esse movimento decorre da proximidade da USP e do fácil acesso ao bairro por meio de transporte público, somado a outros fatores”, diz. “Esse cenário deve se manter em 2023, o que é positivo para quem quer investir em novas casas e apartamentos no bairro.”

Mas Varda alerta que é preciso transparência nas operações: “A competição entre os corretores influencia na busca por melhores serviços, tecnologias e produtos. Isso leva os profissionais da área a adotarem um modelo de trabalho pautado nos pilares de confiança, experiência e conhecimento”, diz o especialista.

“Observamos que cada vez mais corretores estão seguindo o modelo norte-americano de trabalhar em esquema de negociação exclusiva, ou seja, o contrato só pode ser firmado por meio do trabalho do corretor. Nos Estados Unidos, 90% das transações acontecem com a presença de um profissional. No Brasil, os números não são tão claros, mas estimamos que já chegam ao patamar de 40% ― número que vem crescendo com o tempo. Isso pode ser explicado pela profissionalização do ramo, com o uso de novos recursos tecnológicos, que possibilitam mais precisão nas negociações e vantagens para todos os envolvidos nas operações.”

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