Muitas mulheres só procuram o médico quando algo incomoda e perdem a janela em que os exames preventivos têm maior efeito. Na explicação do Dr. Vinicius Rodrigues, a medicina preventiva funciona como um calendário que muda com a idade: cada fase traz riscos próprios e, portanto, exames diferentes. Conhecer esse roteiro ajuda a organizar as consultas e evita tanto o esquecimento quanto a repetição desnecessária de exames.
Da adolescência aos 25 anos
A prevenção começa antes de qualquer exame. No SUS, a vacina contra o HPV é aplicada em dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos, e protege contra os tipos do vírus mais associados ao câncer do colo do útero. Vacinar nessa faixa, antes do início da vida sexual, oferece a melhor resposta.
Entre a adolescência e os 25 anos, as consultas de rotina servem para acompanhar pressão arterial, peso e hábitos, além de orientar sobre contracepção e infecções sexualmente transmissíveis. Ainda não há indicação de rastreamento do colo do útero para mulheres com menos de 25 anos, porque as alterações nessa idade costumam regredir sozinhas.
Dos 25 aos 39 anos, o foco no colo do útero
A partir dos 25 anos, entra em cena o rastreamento do câncer do colo do útero, indicado até os 64. O SUS está substituindo gradualmente o exame de Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV, que identifica a presença do vírus antes de surgirem lesões. A meta do Ministério da Saúde é levar o novo teste a todo o país até dezembro de 2026.
A coleta é parecida com a do exame tradicional, mas a maior sensibilidade permite ampliar o intervalo para cinco anos quando o resultado é negativo. Segundo Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a mudança mostra como a tecnologia pode reduzir a frequência de exames sem diminuir a proteção, desde que o rastreamento seja organizado.
A partir dos 40, a mamografia entra no roteiro
Aos 40 anos, a mulher passa a ter acesso à mamografia no SUS, em decisão conjunta com o profissional de saúde sobre benefícios e limitações do exame. Entre 50 e 74 anos, o rastreamento passa a ser ativo, com convocação a cada dois anos.
Mulheres com histórico familiar importante ou mutação genética conhecida podem precisar de acompanhamento mais cedo, às vezes com ressonância magnética. Na avaliação de Vinicius Rodrigues, a idade de início do rastreamento mamário é um ponto de partida, e o plano pode ser ajustado conforme o risco individual.
Coração, metabolismo e intestino depois dos 45
O risco cardiovascular cresce após a menopausa, quando a proteção hormonal diminui. Medir pressão arterial, glicemia e colesterol com regularidade permite identificar hipertensão, diabetes e dislipidemia ainda sem sintomas. Doenças do coração estão entre as principais causas de morte entre mulheres, à frente de muitos tipos de câncer.
O rastreamento do câncer colorretal é outra etapa da meia-idade. Diretrizes internacionais recomendam iniciá-lo entre 45 e 50 anos, com pesquisa de sangue oculto nas fezes ou colonoscopia, conforme a disponibilidade e o histórico de cada paciente.
Ossos e acompanhamento após os 65
A perda de massa óssea se acelera após a menopausa e aumenta o risco de fraturas, sobretudo de quadril e coluna. A densitometria óssea é indicada para mulheres a partir dos 65 anos e pode ser antecipada quando há fatores como baixo peso, uso prolongado de corticoides ou fratura anterior.
Depois dos 65, o acompanhamento passa a considerar a saúde geral e a expectativa de vida. Exames que fazem sentido aos 50 podem ter benefício menor aos 80. Na perspectiva de Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a melhor agenda preventiva é a que equilibra recomendações por idade com a história de cada mulher, revisada a cada consulta.

