Pesquisa mostra que quase metade dos brasileiros pretende adquirir um imóvel, mesmo com juros elevados e mudanças no crédito habitacional.
O mercado imobiliário brasileiro continua demonstrando resiliência em 2026. Mesmo diante de um cenário de juros ainda elevados, os indicadores divulgados recentemente pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em parceria com a Brain Inteligência Estratégica, mostram que a intenção de compra de imóveis permanece em um dos maiores níveis da série histórica. O levantamento aponta que 49% dos brasileiros afirmam ter intenção de comprar um imóvel, percentual que se mantém praticamente estável desde meados de 2024. (Portas)
Para quem acompanha o mercado, o dado vai além de uma simples estatística. Ele ajuda a responder uma dúvida bastante comum entre compradores e investidores: ainda vale a pena planejar a compra de um imóvel em um cenário de crédito mais seletivo? A resposta depende do perfil de cada consumidor, mas os números mostram que a demanda continua aquecida, especialmente para imóveis destinados à moradia própria.
Além disso, especialistas do setor destacam que programas habitacionais, mudanças no financiamento imobiliário e o comportamento da economia continuam influenciando diretamente o mercado. Com isso, entender o contexto atual tornou-se fundamental para quem pretende comprar, vender ou investir em imóveis nos próximos meses.
O que explica a alta intenção de compra mesmo com juros elevados?
À primeira vista, pode parecer contraditório observar um interesse elevado pela compra de imóveis em um período de crédito mais caro. No entanto, diversos fatores ajudam a explicar esse comportamento. Um dos principais é que a casa própria continua sendo prioridade para grande parte das famílias brasileiras, principalmente diante do aumento dos custos de aluguel em diversas cidades e da busca por maior estabilidade patrimonial.
Segundo os Indicadores Imobiliários Nacionais apresentados pela CBIC, a intenção de compra permanece entre 49% e 50% há aproximadamente dois anos, um patamar considerado elevado pelos analistas do setor. O estudo também mostra que a maior parte dos interessados busca imóveis para moradia, e não necessariamente para investimento, reforçando o caráter estrutural dessa demanda. (Portas)
Outro aspecto importante envolve o mercado de trabalho e a renda das famílias. Embora o financiamento tenha ficado mais caro com a taxa básica de juros elevada, muitos consumidores continuam organizando o planejamento financeiro para realizar a compra quando surgirem condições mais favoráveis. Em vez de desistir da aquisição, muitos optam por pesquisar mais, comparar financiamentos e acompanhar possíveis mudanças nas taxas oferecidas pelos bancos.
Também pesa nesse cenário a expectativa de continuidade do programa Minha Casa, Minha Vida, que segue sendo um dos principais motores do segmento econômico. Dados apresentados pela CBIC mostram que o programa respondeu por parcela significativa das vendas recentes e continua exercendo forte influência sobre a demanda por imóveis residenciais no país. (CBIC)
Para o comprador, isso significa que a decisão de adquirir um imóvel está cada vez mais ligada ao planejamento de longo prazo. A escolha do imóvel, a análise das condições de financiamento e a capacidade de pagamento tornaram-se fatores ainda mais relevantes do que simplesmente observar a taxa de juros do momento.
Como o crédito imobiliário está mudando em 2026?
Além dos juros, outro tema que ganhou destaque nos últimos meses é a transformação das fontes de recursos utilizadas pelo mercado imobiliário. Tradicionalmente, grande parte do crédito habitacional brasileiro depende da caderneta de poupança. Porém, a redução na captação líquida dessa modalidade tem levado bancos e instituições financeiras a buscar novas alternativas para financiar o setor. (Secovi)
Essa mudança não significa necessariamente menos oportunidades para quem deseja financiar um imóvel, mas representa um ambiente mais seletivo. As instituições financeiras passaram a analisar com maior rigor o perfil do comprador, a renda, o comprometimento financeiro e o histórico de crédito antes da aprovação dos financiamentos.
Especialistas da CBIC destacam que, mesmo com essa transição, a expectativa para o mercado permanece positiva. As projeções para 2026 indicam crescimento do volume de financiamentos imobiliários em relação ao ano anterior, impulsionado principalmente pelo segmento habitacional e pela continuidade das políticas públicas voltadas ao acesso à moradia. (CBIC)
Na prática, isso significa que compradores bem preparados financeiramente tendem a encontrar oportunidades competitivas, embora seja cada vez mais importante comparar propostas entre diferentes instituições. Simulações de financiamento, análise do custo efetivo total (CET), prazo de pagamento e possibilidade de utilização do FGTS continuam sendo etapas essenciais antes da assinatura do contrato.
Para investidores, o cenário também exige atenção. A maior seletividade do crédito pode alterar o ritmo de lançamentos em determinadas regiões, influenciar a velocidade das vendas e modificar a dinâmica de preços em alguns segmentos do mercado.
O que o comprador deve observar antes de tomar uma decisão?
Os dados mais recentes reforçam que o mercado imobiliário brasileiro permanece ativo, mas também mais complexo. A elevada intenção de compra mostra que existe demanda consistente, porém a decisão de adquirir um imóvel deve considerar diversos fatores além das notícias sobre juros ou indicadores econômicos.
Entre os principais pontos de atenção estão a capacidade financeira da família, a estabilidade da renda, o valor da entrada, os custos adicionais da compra e a escolha de um imóvel compatível com o orçamento de longo prazo. Também vale acompanhar a evolução da política monetária, já que eventuais mudanças na taxa Selic costumam influenciar as condições do crédito imobiliário ao longo dos meses.
Outro aspecto importante é avaliar a documentação do imóvel e da construtora, especialmente em imóveis na planta ou em lançamentos. Conferir registros, certidões e condições contratuais reduz riscos e proporciona maior segurança durante a negociação.
Para quem pretende apenas acompanhar o mercado antes de comprar, os indicadores divulgados regularmente por entidades como CBIC, Secovi, Banco Central e Abecip oferecem um panorama consistente sobre vendas, lançamentos, preços e disponibilidade de crédito. Essas informações ajudam o consumidor a entender tendências sem depender apenas das oscilações de curto prazo.
A manutenção de uma demanda elevada mostra que o interesse pela casa própria continua forte em todo o país. Em um mercado cada vez mais competitivo, informação, planejamento financeiro e análise cuidadosa das condições de financiamento permanecem sendo os principais aliados de quem deseja transformar o projeto de compra de um imóvel em uma decisão segura e sustentável. (Portas)

