Trabalhadores constroem paredes de tijolos em um edifício residencial ainda inacabado.

INCC-M desacelera em setembro, mas custo da construção acumula alta de 6,61% em 12 meses

Redação Gazeta Do Imovel
Redação Gazeta Do Imovel
5 Min de leitura

O Índice Nacional de Custo da Construção — Mercado (INCC-M) subiu 0,25% em setembro de 2026, informou a Fundação Getulio Vargas. O resultado representa uma desaceleração em relação a agosto, quando o indicador avançou 0,85%. Mesmo com a alta mensal menor, o índice acumulou variação de 6,61% nos 12 meses encerrados em setembro.

O acumulado ficou abaixo dos 7,07% registrados no mesmo período de 2025, mas ainda mostra que os custos associados à construção continuam avançando. Para o mercado imobiliário, a leitura do dado exige atenção: desacelerar não significa que os preços dos insumos ou da execução das obras tenham caído, mas que o ritmo de aumento foi menor no mês.

O que o resultado do INCC-M representa

O INCC-M é utilizado como referência para acompanhar a evolução dos custos da construção. Por isso, seu comportamento pode ser observado por empresas responsáveis por novos empreendimentos, incorporadoras que revisam seus orçamentos e compradores que negociam imóveis em diferentes fases de desenvolvimento.

A variação de 0,25% em setembro oferece um sinal de menor pressão mensal quando comparada ao resultado anterior. No entanto, o avanço acumulado em 12 meses indica que o planejamento de obras continua sujeito a reajustes e à necessidade de monitorar despesas ao longo do tempo, especialmente em projetos com cronogramas mais extensos.

Por que a mão de obra continua no radar

Uma análise do BB Investimentos destacou que o setor da construção permanece resiliente, embora enfrente pressões relacionadas aos juros, aos custos e à confiança. O relatório também apontou que os custos de mão de obra continuam contribuindo para manter o índice da construção acima da inflação ao consumidor.

Esse cenário combina fatores que afetam as decisões do setor. Mesmo quando a variação mensal do INCC-M perde força, a trajetória acumulada pode influenciar estimativas de viabilidade, projeções financeiras e decisões sobre o lançamento ou a continuidade de empreendimentos. A avaliação, contudo, depende das características de cada projeto e das condições específicas enfrentadas pelas empresas.

Possíveis efeitos para imóveis na planta

Para quem compra um imóvel na planta, o resultado do INCC-M pode ser relevante porque contratos e etapas de construção podem considerar referências de atualização diferentes, conforme as condições estabelecidas entre as partes. O índice, por si só, não determina automaticamente o preço final de todo imóvel nem produz o mesmo efeito em todas as negociações.

O impacto depende do contrato firmado, do estágio da obra e da forma como a incorporadora estrutura seus custos. Por isso, o comprador deve verificar quais indicadores são mencionados no documento, em que período os reajustes podem ocorrer e como a atualização se relaciona ao cronograma de pagamento. A análise das cláusulas é importante antes da assinatura e também durante a execução do empreendimento.

O que construtoras e compradores devem observar

Para construtoras e incorporadoras, o resultado de setembro reforça a necessidade de acompanhar materiais, mão de obra e condições financeiras ao elaborar orçamentos. A desaceleração mensal pode aliviar parte da pressão de curto prazo, mas o acumulado de 6,61% em 12 meses mantém a importância de revisar custos e cenários para evitar que o planejamento fique defasado.

Para os compradores, a principal cautela é não interpretar o dado isoladamente. O INCC-M é uma referência para a evolução dos custos da construção, mas a formação do preço de um imóvel envolve contrato, localização, padrão do empreendimento, condições de financiamento e estratégia comercial da empresa. O resultado divulgado pela FGV deve ser lido como um elemento de contexto, e não como uma previsão automática de aumento para todas as unidades.

O dado de setembro, portanto, combina dois sinais. No curto prazo, houve perda de ritmo em relação a agosto. No horizonte de 12 meses, porém, a construção ainda acumula alta expressiva, mantendo custos e planejamento no centro das decisões do mercado imobiliário.

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